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O que o Gianecchini tem que eu não tenho?



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Apartheid escolar

            Uma cerca divide ao meio o território australiano. Projetada para conter o avanço dos coelhos, cuja proliferação desenfreada desequilibrava o ecossistema local, ela tornou-se símbolo de um fato histórico odioso. Explico-me. Por ocasião de sua construção, muitos trabalhadores brancos engravidaram as aborígenes locais, cujos filhos bastardos eram separados à força das mães e transferidos para campos governamentais distantes. O propósito era educar as crianças mestiças segundo os costumes "civilizados", para que se tornassem, mais tarde, serviçais domésticos qualificados dos brancos.

Eis mais uma mostra daquilo que se convencionou nomear apartheid. Vocábulo anglo-saxão já solidificado entre nós, designa os processos de segregação de parcelas da população, os quais culminam em algum tipo de privação civil - seja ela explícita, ou não.
             Imagem-síntese da paisagem nacional, o apartheid é encontrado em todo canto e ponto do nosso país. Ele é integrante da geografia das cidades, das instituições sociais, até mesmo de nossas casas. E as escolas não são exceção. Pretendidas como espaços neutros, elas apresentam-se repetidas vezes como caixas de ressonância de alguns horrores sociais. Enfrentemos um deles.

Vários colegas do ensino fundamental privado confirmam: há um apartheid ocorrendo entre os alunos pagantes e os filhos de funcionários, particularmente os dos auxiliares (não professores). Comumente aceitos a contragosto, eles são beneficiários de um dispositivo legal previsto nas convenções coletivas de trabalho, o qual obriga as escolas a conceder bolsas de estudo integrais aos dependentes de seus empregados. Uma vantagem que se converte amiúde em transtorno para os donos do negócio.

Não apenas em razão dos constrangimentos que sua presença "mestiça" acarreta, a segregação é ratificada, por vezes, em termos de seu desenvolvimento pedagógico e/ou disciplinar "aquém do esperado". Esse fato, quando não tomado como justificativa para o assistencialismo local, torna-se a brecha para que as escolas possam rejeitar sua permanência, contentando assim a maioria dos pais pagantes, incomodados com a contigüidade de sua prole com a pobreza. Mas há outras maneiras mais sutis de "administrá-los" - todos sabemos. A mais insidiosa delas é a do seu apagamento civil.

Uma professora aflita conta que uma aluna pequena, em uma redação cujo tema era a família, perde a memória e adota uma das professoras estrangeiras como avó. Outra, no refeitório, recusa-se a apanhar o lixo que sua mãe, faxineira, terá de fazê-lo em seguida.

O que não ensinamos para tais crianças é que seu destino já está traçado: continuarão sendo serviçais daqueles com quem hoje dividem os assentos escolares.

Em tempo: de que lado da cerca brasileira (sim, aquela contra os pobres) você e seus filhos julgam estar?           

Copiei este texto de autoria do Julio Groppa Aquino, publicado no numero 100 da Revista da Educação. Ele fala da Austrália. A pergunta final nos leva a muitas reflexões. De que lado da cerca nós estamos no mundo?



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O Livro dos Livros.

       Trata-se de um livro enorme. Capa de metal pesado, dourada, bordado a ouro. Mais de cinco mil páginas. Guardado a sete chaves há séculos pela Ordem dos Sufis. Nele está resumido o mais importante e sagrado conhecimento humano.

       Ao abrir o livro, na primeira página, está escrito:

“NUNCA CONFUNDA O CONTEÚDO COM A FORMA”.

       As milhares de páginas seguintes estão todas em branco. Adoro as histórias dos sufis. Adoro beber na fonte.

    Conheço muita gente assim, como a capa deste livro.

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Tempestades na África

A que distância está?
A que distância está?

Caminhando através das tempestades?
Avançando através das tempestades?

A que distância está
Do início da tempestade?
A que distância está
Do início até o final?

Eleve seu coração,
Caminhando através das tempestades.
Eleve seu coração!
Avançando através das tempestades.

Extensa jornada.
Cansativa, através das tempestades.

Longa jornada.
Procure através das tempestades.

 

         Adoro esta musica da Enya.

        Estamos no meio, no início ou no fim da tempestade? Difícil saber quando as nuvens cobrem o céu e perdemos o senso de direção. Mesmo assim, vamos tentando nos encontrar e achar um sol, através das tempestades.

        Com a letra  de Roma Ryan a voz da Enya nos traz uma das mais belas musicas do mundo atual. Você pode baixar o clipe no Kaaza dando uma busca em Storms In África. É lindo. Escute ENYA em  Storms In África no link: http://app.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=001242-7<@>Best_Of_Enya&opcao=umcd#



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CHOVENDO DE BAIXO PRA CIMA

       Calo-me e choro.

Lembro do Chico Buarque: “Mesmo calada a boca, resta o peito... mesmo calado o peito, resta a cuca”.

Pedem-me para ter voz calma. Que seja serena. Macia e harmoniosa. Tenho dificuldades em ter a voz subserviente dos que pedem esmolas. Não aceito quebrar meu orgulho diante do torturador.

Admito e compreendo tudo que os inimigos e adversários me fazem, mas desmorono diante da incompreensão dos amigos e aliados.

Não posso gritar meu desespero, minha dor e minhas necessidades, quando recebo o rótulo da voz violenta. Começa a chover de baixo pra cima.

É na depressão que a gente compreende a lógica dos suicidas, dos loucos que atiram pedras e das santas meninas que comem os caminhoneiros.

E antes de chorar, agarro-me mais uma vez ao Beltold Brecht:

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem”.

 

Paulo Fernando Farias



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Quem disse que a boca é tua?

            Trata-se de uma frase do filme “Cidade de Deus”. Frase é a chave para se dizer que a “boca de fumo”, o ponto de venda das drogas, não mais pertence ao traficante, e que uma nova quadrilha vão assumir na marra e na bala.

Minha mulher me traiu!

Acabo de ver pela Tv o discurso do presidente. Pior do que eu pensava. Ele falou mais ou menos assim: “minha mulher me traiu, vou punir o urso, mas fico com ela, peço desculpas e estou indignado. Eu não sabia de nada. Vou transar com ela até meia noite”. E quem disse que ele vai continuar na presidência? Quem disse que a boca é tua?

Noticiário

            O melhor noticiário sobre o próximo afastamento do Lula estas no site da revista primeira leitura. Acesse:  http://www.primeiraleitura.com.br/auto/index.php.

MINHA BOLA DE CRISTAL.

            Não. Eu não consigo ficar calado.

Olho minha bola de cristal e vejo o que vai acontecer.

O Lula vai renunciar, junto com o vice José Alencar. (ou renunciam ou vão renunciar eles).

O Deputado Severino Cavalcanti, por ser presidente da Câmara, vai ser presidente do Brasil. Por pouco tempo, mas vai sim.

Novas eleições para escolher o novo presidente do Brasil.

            Fernando Henrique Cardoso volta à presidência.

            Governo de coalizão. O PT acabou!

           Roberto Carlos vai fazer show de final do ano na Tv Globo.



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NÃO ACREDITO EM REENCARNAÇÃO.

Começou assim. Uma maratona, uma guerra, irmãos contra irmãos.

Fomos jorrados num tsunami através de túneis escuros e latejantes. Mas cheguei na frente dos cinco bilhões de outros. Achei o óvulo perdido. E entrei onde nenhum espermatozóide esteve.

            Escalei as paredes do útero. Era para ser um óvulo aconchegante, mas comecei a implodir e fui me dividindo em outras células até cair novamente no túnel. Respirei e tornei-me um ser vivente e meus olhos foram feridos pela claridade, senti muito frio e ouvi barulhos estranhos. Comecei outra maratona. Chorei, esperneei, mas ninguém atendeu minhas preces.

            Anos depois me perguntaram onde estava a minha consciência antes de nascer.  Eu não lembrava mais. Insistiram para que eu fizesse uma regressão de memória, falaram-me de reencarnação de espíritos. Queriam saber quem fui eu numa vida anterior. Mas eu não lembrava se teria vivido no Egito antigo ou na França de Napoleão.

            Eu não acredito em reencarnação. Mas em caso de dúvidas, vou me preparar para a próxima vida. Quero voltar para as estrelas.



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Minha mãe morreu.

Passou quase vinte dias em estado de coma. Morreu de meningite. Mas eu acho que foi por erro médico. Trataram a doença como se fosse um derrame cerebral.

            Isso faz uns 15 anos. Minha mãe era de Caruaru, Agreste pernambucano. Sempre sonho com ela. Sonhos bons e felizes. Ela lia muito, formada, bom gosto para as artes.

            Atualmente estou chateado com minha mãe. Ela podia ser igual à mãe do presidente Lula.

            Nascida também no Agreste, é a única mãe que presta neste país. Que faz parte de todos os discursos presidenciais. “Que nasceu e morreu analfabeta” Quem sabe eu fosse o único cara sério, honesto e ético do Brasil.

            Dona Socorro de Caruaru podia ter aprendido um pouco com dona Eurídice de Garanhuns. Assim, vejo o país na maior crise da história e o cara mantém uma estúpida arrogância, viaja pelo Brasil fazendo comícios desesperado que lembram o Collor.  A Revista Veja desta semana mostra bem o quanto o presidente está “desgovernado”. Muito interessante, também,o caderno MAIS! da Folha de São Paulo deste domingo.

            Minha mãe era muito diferente da mãe do Lula.  Minha mãe não me deu “leite de magnésia” quando eu era criança.



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           Eu tava pensando com meus botões (ainda tenho uma camisa com botões), sobre a finalidade deste blog. Às vezes me sinto como o Carlos Heitor Cony. Este texto abaixo foi publicado há algum tempo na Folha de São Paulo.

A grande pergunta

Carlos Heitor Cony

            Já aconteceu diversas vezes. Convidam-me para uma palestra, oferecem-me um tema, providenciam hotel e passagens, os auditórios, uns pelos outros, ficam cheios de gente querendo saber coisas. E, mal informada, acha que eu sei alguma.

Outro dia, o convite foi espantoso: falar sobre fim do mundo. Preparei-me tecnicamente, pesquisei na internet, ouvi especialistas, consultei enciclopédias, li uns cinco livros de ficção científica sobre o assunto. Fiquei sabendo de coisas pasmosas. Uma galáxia está sugando a via-lactéa, da qual a Terra faz parte como planeta do sistema solar. A velocidade é espantosa. Milhões de quilômetros por segundo e seremos tragados pela pérfida boca de um buraco negro que além de tragar toda a via-láctea, mais tarde se tragará a si mesma.

Fui ao quadro negro, mostrei distâncias calculadas em anos-luz, citei Pitolomeu, Copérnico, Newton, Einstein e até o Inri Cristo, aquele ex-bancário de Curitiba que se diz a encarnação de Jesus Cristo e nos ameaça com o fim dos tempos. Falei na teoria do quanta e no apocalipse de São João.

Bateram palmas a tanta e tão vasta sabedoria. O mediador elogiou minha atuação com palavras emocionadas e declarou aberto o debate. Alguém desejava me questionar?
            Lá de trás, a mão de um sujeito magro e barbado se ergueu. Tremi nas bases. Eu esgotara toda a minha sabedoria, um minuto a mais de palestra e revelaria minha total ignorância sobre aquele e sobre todos os demais assuntos.

O rapaz foi estimulado pela platéia a expressar a dúvida que o inquietava. Preparei-me para o pior e ouvi a pergunta que já ouvira em outras ocasiões: Por que o Paulo Coelho entrou na Academia Brasileira de Letras?



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